sábado, 23 de maio de 2015

Vida Marista Irmão Armando Corbellini


Vida de Armando Corbellini

                       Detalhes de Norma C.C. Corbellini Zanatta Arnaldo Corbellini e Ibanor Corbellini

Irmão Primo Armando Corbellini, conhecido por irmão Pacômio, Irmão Cordeiro e Armando Corbellini. Filho de Imerio Corbellini e Esterina Notari, natural de Garibaldi – RS, Linha Alencar Araripe (interior de Garibaldi- RS). Tinha outros irmãos por parte de mãe: 2º casamento de Imério Corbellini e Esterina Notari: Irene, Armando e Irino. Do 1º casamento Imério Corbellini e Catarina Vedovatto por parte de pai eram os seguintes: Luiz, Antônio, Maria, Batista Primo, Anibal, Alberto, Eduardo, Rosa, Teresinha e Adelaide.

 Falecido e sepultado no Rio de Janeiro em 1996, participaram do sepultamento a Dulce Polita sua sobrinha e outros familiares de Guaporé.  Foi professor do guerrilheiro Jonas Zabinbi em Moçambique.  Mas quem era o presidente e do país era Samora Machel. Os negros tinham raiva dos brancos e no dia 28-10-1973 os negros queriam enforcar o Irmão Armando Corbellini em praça pública.  Então os alunos do Irmão Armando, contaram para Ele que seria enforcado. O colégio dos maristas estava cercado de policias com metralhadores e tanques.

Irmão Armando pegou todos os seus documentos e disse que iria fugir. Aproveitou para se despedir do diretor do colégio e outros irmãos e que iria para o aeroporto.  O diretor disse, para onde tu vais? Apenas respondeu que ia fugir. No aeroporto ele foi num pequeno avião para Rodézia, país vizinho, e como lá não consegui pousar, teve que regressar para Moçambique e ao chegar os policiais o prenderam. Foi preso no campo de concentração, onde tinha, cobras, ratos e só comia farinha de mandioca molhada com água. Os porteiros do campo de concentração eram os próprios alunos. Eles diziam foge professor Cordeiro, ele respondia. Como vou fugir se aqui estou preso. Os alunos combinaram que certo dia depois de muito tempo de prisão às 4h da manhã abriram o portão e o professor Pacômio,  embarcava num Jeep a fronteira com a Rodesia. Somente o porteiro sabia, o outro que conduzia o jeep, não sabia do que se tratava, e resolveu perguntar onde vais professor Pacômio.  O Irmão respondeu que iria caçar. Em Moçambique quem trabalhava eram as mulheres, pois os homens ficavam apenas caçando, pegando borboletas e insetos, frutas para comer. No campo de concentração deixou escrita essa poesia:

Sinto que morro lentamente à fome

O corpo treme sou uma chaga e dor

Sangra-me as mãos e os pés sinto torpor

Sinto a agonia que me roe e consome

 

A noite é longa e cruelmente insone,

Gemem fantasmas entre as trevas, horror!!

Correm insetos em meu corpo e o ardor

Gera um inferno sem igual sem morre.

 

Tornei-me um verme da crueldade humana

Meu corpo nú marcado pela violência

Goteja o sangue de uma vingança insana...

 

Não peço aos homens nem perdão ou clemência

Ao Deus que tudo vê e nada engana

Proclamo a minha fé a minha inocência

 

                              No campo de concentração do Dando – Moçambique 13 de setembro de 1975

Irmão Cordeiro caminhava durante o dia, e a noite ele dormia em cima de árvores, para se defender do ataque das feras, tomava água do orvalho, isso até chegar no pais vizinho da Rodezia. Na Rodezia tomou o avião e depois de muitas dificuldades chegou a Portugal. Ao chegar deparou-se com uma guerra civil onde não podia desembarcar. Depois deram permissão e ele foi até a casa dos Irmãos Maristas de Portugal, que o acolheram dando-lhe roupas e comida e o que precisava.  Quando foi possível lá pelos anos de 1975 retornou ao Brasil e se fixou na província do Rio de Janeiro, na Tijuca. Onde passou a trabalhar colocando os refugiados e que saíram de Moçambique e se refugiavam no Brasil, dando-lhes um lugar mais seguro e condições de emprego e condições de começar nova vida.

Irmão Cordeiro era um exímio jogador de  Bademinton  e provavelmente foi o primeiro a trazer para o Brasil esse esporte da África que era jogado pelos ingleses. Jogo esse que se joga com uma raquete e bola de tênis e outro adversário é uma parede, a bolinha bate e volta para que o jogador não a deixe cair.

No Brasil, todos os anos retornava, para os pagos no Rio Grande do Sul para visitar os parentes e amigos, os irmãos Maristas de Garibaldi etc. Contava com alegria as histórias de Moçambique e chorava ao ver as mesas cheias de comida. Gostava de comer milho verde, figos , uva (pois retornava sempre na época da safra da uva), e almoçava sempre na casa dos parentes. Irmão Armando Corbellini faleceu no Rio de Janeiro no ano de 1996. Durante o tempo que frei Paulo F Zanatta esteve participando do Curso de Espiritualidade franciscana (Cefepal), Irmão Armando o visitou diversas vezes e convidou frei Paulo para celebra missa, na casa dos Irmãos Marista na Tijuca, no seminário São José, e para conhecer o Rio de Janeiro. Lá frei Paulo viu uma sala de trabalho do Irmão Armando com fotos da África, saltando de paraquedas, com os cachorros amestrados e etc. Frei Paulo lembrou ainda que Irmão Armando Corbellini fez uma vista no tempo de férias em Belém Novo, na Paróquia Nossa Senhora de Belém, era um dia muito calor insuportável, e deu uma crise de asma, foi muito difícil de passar. O frei ficou muito preocupado, pensava que deveria baixa-ló no hospital, pois pensava que iria morrer. Outra lembrança que frei Paulo recorda no tempo ginasial no colégio Santo Antônio de Garibaldi, cada 2 a 3 anos aparecia o Irmão Armando Corbellini, de batina, com uma sacola e um dente de marfim dos elefantes da África, ficava uns dias pela volta dando palestras e motivando os alunos para a vida religiosa. Ainda lembro que Ele convidou-me muitas vezes para ser Irmão Marista. Um dia respondia a Ele que queria ser Franciscano seguidor dos passos de São Francisco de Assis. No Rio de Janeiro também trabalho com meninos de rua. Ainda hoje há gente que lembra do Irmão Armando Corbellini, pela sua rigidez na educação em Santa Maria, por exemplo: o médico Plinio Desconzi, foi interno do marista e lembra da sua figura e da sua dedicação.

Levantava de madrugada, e caminhava até  a linha Araripe.  Lá ajudava a apanhar a uva e visitava os parentes Corbellini, durante alguns dias que permanecia em férias. Visitava sua Irmã Irene Corbellini em Guaporé e outros lugares, sempre visitando parentes, em Curitiba era seu Irmão Irino Corbellini, Lajeado visitava sua dentista Rosane Vogt, e outras casas de familiares e parentes. Um dia estava em Garibaldi, e deu uma crise de asma muito grande, na casa de Lurdes Brugalli Corbellini, ela queria baixa-ló no hospital São Pedro de Garibaldi, mas o Irmão Armando não quis. Em Garibaldi ele gostava de parar na Casa de Ibanor e Anita Corbellini, Luiz e Norma Corbellini Zanatta, Imério e Lurdes Corbellini, em Guaporé na casa da Irmã Irene Corbellini, na casa do seu irmão Irino Stefano Corbellini, na casa dos irmãos maristas etc.. Irmão Armando disse que tinha uma irmã e ela casou-se com um índio, e todos os anos a visitava, Ela era filha da avó Esterina Notari Corbellini.  Quando a avó Esterina Notari Corbellini ficou viúva casou-se pela segunda vez com o bisavô Imério Corbellini, que também era viúvo da falecida Catarina Vedovatto. Os filhos do bisavô Imério Corbellini, colocaram tudo fora e tiveram que morar de aluguel. Esses filhos do Imério não eram filhos de Esterina, pois eram madrasta destes filhos, e o local onde residiam é hoje há a loja de Ricardo Aliatti era o hotel Corbellini. Os filhos de Esterina Notari, entravam com os dedos na comida, fato que deixava muito braba. Na época não tinha tantos talheres como há hoje em todas as casas, e eles usavam desta prática, pois para se alimentar usavam as mão, fato que muita gente não gosta, mas era comum na época. Outro fato que destacou-se foi a visita de Anibal Corbellini depois de muitos anos morando em Anta Gorda – RS.  Após muitos anos de ausência da casa paterna, um belo dia resolveu fazer uma visita. Como tinha passado muitos as pessoas mudam de fisionomia Ele voltou e não foi reconhecido, também não disse quem era e as novas gerações no o reconheceram, foi-se embora sem dizer quem ele era. Fato que foi lembrado pelos parentes que o conheciam, mais tarde.  A casa (antigo cortume) hoje situada em Garibaldi, propriedade do Gesuino Malvessi era de Luiz Corbellini e Irmão mais velho do Irmão Armando Corbellini que eram o filhos mais velho do Imerio Corbellini e Catarina Vedovatto. Um outro filho chamado Antônio era uma pessoa muito boa, mas quando abria a boca para rir parecia uma gamela de tão grande (fato relatado por uma pessoa o conheceu).

O motivo que os Corbellini foram morar em  Sério é o seguinte: O Imério tinha muitos filhos lá na Linha Alencar Araripe e os que iam casando, deixam o lugar, recebiam uma ajuda para começar vida nova.  Um dos filhos João Batista Corbellini casado com Adele Branchi saiu de carroça para sério. Foi Morar em 7 de setembro, depois que os frei Tiago (franciscano) disseram que iria se tornar paróquia, então todos eles foram para Sério (relato de Arnaldo Corbellini). Outro irmão de Luiz Corbellini também fizeram a mesma coisa a exemplo do Batista, Anibal, Paulo, as Irmãs Adelaide, Teresinha etc. O que permaneceu na casa paterna do falecido Imério foi o Eduardo Corbellini, foi comprando a parte dos outros irmãos que casavam e saíam de casa. O mesmo fato ocorreu com Eduardo Corbellini e Palmira Aime Corbellini, os filhos deste casal também foram casando e recebendo sua herança e assim constituindo família em outro lugar. O ultimo filho Imério casou-se com Lurdes Brugalli, vindo o Imério a falecer a Lurdes ficou dona da propriedade e residindo lá nesse lugar até os dias atuais. O Pai de Frei Lucas Corbellini, João Batista Corbellini e a mãe Adelle Branchi, Paulo Corbellini e Adele Ficagna, aconteceu também a mesma história. Os filhos iam  casando-se e recebiam uma herança para começar vida nova em outros lugar, pertos dos pais ou em outro lugar, pois a propriedade se tornava pequena para tanta gente usar da terra, isso é reforma agrária. Outros conseguiam uma outra profissão para trabalhar e assim ganhar a vida. Aconteceu com o  primo, Severino Corbellini, também foi morar em Porongo, ao lado de Sério para ficar perto dos parentes. Em Sério eles compraram terras de Alberto Sério, que era também de Garibaldi (Armando Peterlongo) que possuía estabelecimento de bebidas. O nome de Sério derivou de Alberto Sério, ou de Armando Sério que também era de origem de Garibaldi . O João Batista Corbellini para construir a sua casa carregava as madeiras amarradas nos cargueiros das mulas e assim as conduzia no local onde construiu  o seu lar. As madeiras eram serradas na madeireira de Abraão Kenipoff, onde possuía um engenho. Arnaldo Corbellini, ainda lembra, que deu uma peste de ratos, pois não podiam salvar nada, nem as batatas doces das roças,  e a Norma C.C.Corbellini, recordou que foi pelo ano de 1937, quando tinha 12 anos de idade. Fatos esses lembrados na praia Rainha do Mar e Garibaldi – RS.

Canção do Exílio dos Italianos


Canção do Exílio

                        Eduardo Dall’Alba

 

Minha terra tem parreiras

Onde canta o sabiá

Tem trabalho dos mais simples

Que não encontro por cá

 

Em cismar comigo a noite

Menor parazer eu encontro

Minha terra tem parreiras

Onde é difícil cantar

 

Minha terra tem parrreias

E colonos à deriva

E uma crise, das fortes

Que colonos algum se esquiva.

 

O metal da minha terra

Me ofusca a vista,

Foi uma terra fria e dura

E de difícil conquista

 

Não permita Deus que eu morra

Sem que eu volte para lá

Minha terra tem parreiras,

Onde é difícil cantar

Filó uma experiência de paraíso

                     Frei Rovílio Costa

 

Nas noite longas de inverno

fiavas vida e sustento:

pungir de um Vêneto eterno

no canto fundo do vento!

(Itálico Marcon, Porto alegre, amanhecer de 26/07/1971)

               O contadino (agricultor), durante os meses de inverno, tinha que permanecer em casa, pois não havia condições de trabalhar na lavoura. Se não  houvesse um trabalho doméstico, a vida se desenrolaria num constante e, por vezes monótono filó. As mulheres tinham o tempo ocupado em preparar refeições, costurar bordar, tricotar, fiar. Os homens também fiavam. A ordenha, para quem tinha vacas leiteiras, o fabrico do queijo, manteiga, requeijão era outra atividade envolvente. Mas a maior pare do tempo era livre. Surgiram, assim, os famosos contadores de histórias, especialmente às crianças para entretê-las. Uma atividade das mães era ensinar os filhos pequenos a decorar o catecismo e muitas orações ensinadas pelos mais velhos e que passaram de geração em geração.

               A palavra filó significa, na Itália, o conjunto de trabalhos manuais que podiam ser executados em casa, no período de inverno. Uma boa atividade era o encontro entre vizinhos. Uma família visitava outra e vice-versa.

               Para quem não tivesse o aconchego dos animais, na estrebaria, anexa à casa, o aquecimento  doméstico tinha que ser feito à base de lenha.

               Impossível seria enfrentar o inverno rigoroso, de muits graus abaixo de zero, sem o aquecimento pelo fogo doméstico.

               Mas escassa era a  lenha e hoje ainda o é nas pequenas borgatas onde ainda não chegou o aquecimento domiciliar. Que fazem, hoje, nessas localidades, as pessoas idosas, os aposentados que ficam em casa  sem o que fazer?  Para economizar lenha, costumavam reunir-se anciões de duas ou três famílias, um dia nesta outro dia naquela casa, até o anoitecer, para assim, queimar lenha numa só casa. À noite, retornando, acendem o fogo para preparar os alimentos e aquecer o ambiente. Em La Valle Agordina “Belluno” em 1984, visitamos um grupo de anciãos de três diferentes famílias, reunidos numa mesma casa, ao redor do fogo, num rigoroso inverno janeiro. As mulheres faziam diferentes costuras e os homens se ocupavam   contando histórias.

               Em nossas colônias não tivemos problemas do frio. Mas o filó passou a ser uma tradição ou uma atividade da noite, ou do anoitecer. Depois de escurecer não dá para trabalhar na lavoura, sentão prepara-se a comida, fica-se conversando, rememora-se o dia passado, os pais aproveitam para uma conversa pedagógica com os filhos e a harmonia se torna completa quando, finda a janta, todos, de joelhos, desfiam as contas do rosário, rezando o terço, agradecendo a Deus pela vida, saúde, colheitas, pedindo a libertação das inteperies e pragas e rezando pelos doentes, pelos falecidos...

               Na colônia, quando se determinava fazer filó em alguma família, juntava-se em casa, procurando chegar umas duas horas antes do horário dessa família ir dormir. Tinha-se o cuidado de chegar na família depois que já tivesse jantado. Aí se ajudava a lavar a louça, se o estivessem fazendo, senão se rezava juntos o terço, se o estiva alguém doente, era costume estivessem rezando. E seguia-se o filó...

               Se houvesse alguém doente, era costume visitar também no horário do filó, mais com visita mais breve e com outro ritual. Chegava-se, visitava-se o doente, ficava-se em filó com os familiares em tempo mais breve. Ao final, se o doente não estivesse dormindo, fazia-se a despedida. O filó era com os familiares, sempre da maneia que não perturbasse o repouso do doente.

               Quando, porém, alguém estava em estado grave de saúde, que demandava a presença de alguém, noite e dia, aí estavam os vizinhos, em rodízio, sobretudo à noite, para auxiliar nesses momentos difíceis.

               O filó era, pois, um momento de harmonia da família com sigo mesma, da família com Deus através da oração, e da família com os vizinhos através de encontros periódicos, ditados pelo bom-senso e pelo nível de amizade entre famílias de costume e tradições próprias. Hoje ainda, festeiros de capelas, presidentes ou distribuir encargos entre associações, quando precisam combinar atividades ou distribuir encargos entre associados, vão fazer filó à noite, e passam a limpo a situação da entidade ou instituição que dirigem.

               Os filós eram momentos privilegiados para a crianças que podiam encontrar-se e brincar  juntas; para os jovens que se instruíam pela conversa dos adultos e também tinham oportunidade de encontro com o bem-amado ou bem-amada; e com os adultos que descorriam sobre as culturas, preços, negócios, a troca de sementes o empréstimo de animais reprodutores, troca de jornadas em tarefas especiais, a necessidade de auxiliar alguma família que necessitava de mão-de-obra, por ter alguém doente. Enfim, o filó era, acima de tudo, uma grande escola de valores humanos e cristãos, de educação para sociabilidade e cidadania.

               A dureza de um dia de trabalho não terminava na subjugação pelo cansaço, mas na harmonia do encontro. Famílias que não se visitassem em filós, eram famílias mal relacionadas.

               O filó era também oportunidade de convidar os vizinhos, por ocasião da safra de pinhão, batata, amendoim, laranjas, nêsperas, pêras... Oportunidade em que se aproveitava o bom vinho caseiro. A sensibilidade sugeria que se convidadesse os vizinhos que não haviam produzido tal e qual produto para compartilhar com eles.

               As épocas de safras, eram oportunidades para convidar os amigos ao filó. Ao tempo da uva, convidava-se alguém que ainda não tinha parreiral, para comer uva e beber o vinho doce. O amendoim, o pinhão, a batata, os crostóli, o vinho, a graspa, o café, as bolachas caseiras, eram comes e bebes corriqueiros nos filós.

               Poder-se-ia citar muitos elementos do filó. Mas, o mais importante é aquele filó não esporádico, mas que acontecia todas as noites na casa de cada colono. O encontro da família, preparando-se para a janta, jantando, lavando a louça, fazendo trança, dobrando palha de milho para cigarros, limpando a casa... em meio a uma conversa panorâmica do dia vivido. A família transformava-se em antecâmara do paraíso quando, no final de tudo, jovens, velhos e crianças se ajoelhavam e rezavam conforme o costume de cada família. Crianças adormeciam sobre os bancos e tinham que ser levados à cama no colo, jovens também pegavam no sono e vinha um sacudão dos pais para acordá-los e reagir ao sono porque precisavam rezar. Ia-se à cama abençoado por Deus, com a esperança de levantar disposto e feliz para um novo dia de trabalho que terminaria com um novo dia de paraíso, com a mesma oração noturna, mas cada dia com motivações e intenções diferentes.

               O trabalho era o sinal do progresso, os frutos do trabalho eram sinal da bênção de Deus. Mas a refeição com todos juntos, com alegria e saúde era sinal da vida, da saúde e do amor entre pais e filhos, e a oração era o grande sinal do paraíso. O filó era, pois, a grande síntese da vida do homem em família, em vizinhança e em relação com Deus.

Bibliografia:

 Nós os Itálicos Gaúchos: Mário Maestri..,{et al.} . – Porto Alegre, Ed Universidade /UFRGS. 1996.

Oração a Nossa Senhora de Caravaggio


Oração a Nossa Senhora de Caravaggio

Lembrai-vos, ó puríssima Virgem Maria, que jamais se tem  ouvido dizer que deixásseis de socorrer e consolar a quem vos invocar, implorando a vossa proteção e assistência; assim pois, animado com igual confiança, como a Mãe amantíssima, ó Virgem das Virgens, a vós recorro, de Vós me valho, gemendo sob o peso de meus pecado, humildemente, me prosto a vossos pés. Não rejeiteis as minhas súplicas, ó virgem de Caravaggio, mas dignai-vos de  as ouvir propicias e de me alcançar a graça que Vos peço. Amém

Oração a Nossa Sra. do Perpétuo Socorro

Socorrei, Maria é tempo, socorrei, ó mãe de misericórdia. Sois poderosa para  salvar-nos nas necessidades e perigo, pois onde o socorro humano desfalece, não falha o vosso. Não, não podeis desprezar as ardentes súplicas de vossos filhos. Mostrai que sois mãe, onde a necessidade for maior. Socorrei, Maria, é tempo, socorrei, ó mãe de misericórdia. Amém

Pe. Adilson José  kuntzler

A Igreja Nossa Senhora do Rosário (luiz Provenci)


A Igreja Nossa Senhora do Rosário

A Igreja tem mais de 70 anos disse o Luiz Provenci que era filho de João Antônio Provenci, disse que seu pai puxou pedra para o alicerce da Igreja Nossa Senhora do Rosário. O senhor João Antônio Provenci tinha 3 juntas de boi para puxar o carretão com grandes pedras de alicerce. As pedra vinha lá de baixo do Frigorifico do Ortenilo Nicolau. A estrada de Santo Antônio não existia era conhecia como a estrada do padre Seu Antônio puxou pedra para o alicerce da Igreja durante 1 mês. Quem trabalho na construção da Igreja foi: Nelson  Rossi e na época não existia maquina, tudo era feito a mão. A Olaria de tijolos era do Balastreri. Mas que trabalhava antes na olaria era o Bozzetti. Antes da Igreja existia uma pequena Capelinha de madeira e ao do hospital bem no meio da rua.  Quando foi inaugurada a Igreja Nossa Senhora do Rosário, veio uma banda de sopro de encantado. Também existia um pavilhão de madeira e reunia muita  gente, pois não existia a paróquia de Fontoura Xavier. O transporte era feito com mulas ou burros, e aqui ao redor da Igreja era tudo propriedade da Mitra Diocesana.  A Igreja Nossa Senhora do Rosário era a que mais tinha terras em São José  do Herval – RS. Era Chamada de Burro Morto, pois em frente ao porto Ipiranga largam os animais. O transporte era todo feito por meio de tropas de burros e carroças puxadas por mulas. Era uma época de muitas bestemas, pois os animais não queriam caminhar e parecia que Deus tinha culpa. Um dos primeiros moradores era o Adolfo Brizola, Valentim Dartora, João Zanella, que tinham serraria junto com o Arino Zanella. Na época tinha muitas serrarias aqui no burro morto, pois tinha muitos pinheirais. O primeiro cemitério foi das Catatumbas, era muito antigo e o primeiro, e o atual cemitério veio bem depois.  A Br  só veio depois por volta do ano de 1960. O primeiro caminhão de Burro morto foi do Nilo Parise, era um ford  F 6, e também o primeiro deposito de bebida foi do Nilo onde também fazia a bebida. Na época as pessoas trabalhavam nas roças roçar capoeira, derrubar mato, queimar etc. Não era usado defensivo agrícolas. O primeiro defensivo agrícola usado pelo lauro Zanotelli, importado, na época dos militares, matou tanto pássaro que não dava para imaginar. Era uma nuvem de sabias e outros pássaros  mortos no chão por envenenamento. Todos os granjeiros usavam esse veneno para matar as lagartas da soja, com o defensivo vindo dos Estados Unidos. Aqui em São José tinha um terno de reis e o Sr. Luis Provenci era o gaiteiro e os componentes do terno eram: Nelson Rogeri, juares Rogeri, Deonisio Fiorentin, Nato Polocarpo. Aconteceu um encontro entre ternos de reis  encima da ponte de São José da Calha, mas o de São José do Herval ganhou do terno de Putinga. Disse o Luiz Provenci que sempre tocava de graça, e com isto sempre dava um lucro para a paróquia, que certam vez consegui até pintar a Igreja. Na época do Frei Teodosio que tocava na Igreja era o Luiz Provenci que sempre doou ser serviço por amor a Igreja e a comunidade.

Tropa de Burro e 3 Pinheiros (Antônio Luis Cemin)


Tropa de Burro e 3 Pinheiros

O Antonio Luis Cemin lembra que quando era adolescente e jovem hoje com 51 anos de idade contou que no seu tempo começou a trabalhar bem cedo conduzindo tropas de burros. Fazia fretes nas roças e carregava feijão, milho e todos os produtos agrícolas. Tinha uma tropas de burros bem grande, todos eles com suas cangalhas, rabichos, cabestro, sacos , de carregar em fim todo o material necessário para o transporte de cargas. Os burros não eram ferrados e não tinham ferradura. Os donos desses burros eram: João Pinto, Decio ngnotto, Jeronimo Cegolin, Fioravante Sartori. Havia uma encerra para guardar todos os burros, pois era o transporte da época. Disse que no rio Duduia e em outros rios da região, e no tempo de enchente passou muito trabalho, pois, a correnteza era muito grande, disse que soltava o burro e também deixava a rédea solta e assim o burro com maior tranquilade atravessava o rio, apenas se afirma e o burro ia tranquilo, pois, ela nadava, falou que é muito diferente dos  cavalos. Na época não tinha ponte e o transporte era feito tudo na costas dos burros, e também vencer as distancias era feita à cavalo e ou a pé. A sacaria era tocada de troca de tempos, ficava muito desgasta e perdia os produtos, então se dizia da roupa nova e tudo branca. Quando a tropa era muito grande caminhando por esses morros muitas vezes ficava “repejando” isto é, na frente da para se enxergava o fim da tropa dando voltas nos morros. Todo cuidado era pouco para não perder nenhum burro pelos caminhos. Tinha burro muito aporreado no dizer do Antônio que não queria caminhar, lembra que certa vez um burro derrubou 4 adolescentes numa encosta de morro, mas lembra muitas coisas bonitas desse tempo , que não volta mais.

As tropas de burros do Galvão e Navegantes (Claudir Eugênio e Ari de Brum)


 

As tropas de burros do Galvão e Navegantes

Histórias lembradas pelos moradores do rio Galvão, Claudir Eugênio e Ari de Brum lembram com saudades aqueles tempos das tropas de burros, que os donos de Armazéns: Casimiro Macagnan, Décio nhoatto, Guilherme Trombini, Fioravante Pavi, Antônio Finatto e os irmãos Tomás Portella e José Portella, faziam o comércio dos produtos agrícolas e com tropas de Mulas.  O Sebastião de Brum tropeava para o Antônio Finatto. O Carmelindo Eugenio pai do Claudir tropeava para o Balduino Bagatini. As tropas de burros eram de mais ou menos 25 burros naquela região. Com os burros os Comerciantes buscavam a produção nas lavouras acidentadas e montanhosas dessa região, e transportavam para o comercio e para os armazéns da cidade de Lajeado e Santa Cruz do Sul. A viagem para Lajeado e Santa Cruz demorava de 4 a 5 dias. Traziam de lá mercadorias, que na troca a troca por feijão, milho, trigo e etc. em troca traziam açúcar, café, sal, fazendas etc e tudo o que as pessoas necessitavam. Levavam muita coisa para lajeado, no porto. Eram embarcado no vapor tocado a fogo, esta mercadoria ia para Porto Alegre. O primeiro paradouro era em tamanduá, onde pernoitavam. No dia seguinte muito cedo preparavam tudo para chegar na praça em lajeado. Na frente da sempre ia o madrinheiro, e atrás por último era o tropeiro. Cada lote de burro sempre o madrinheiro para orientar o caminho, tropeio atrás para verificar se rasgava algum saco e ver se algum burro não se desviava do caminho.

Os burros sempre eram amarrados um no outro, nas cangalhas. No Galvão tinha dois ternos de burros, do Balduino Bagatini, que quando ia para Santa Cruz, dirigia-se com os dois conjuntos de burros, para levar mais carga. O burro da frente levava o cincero, que era um tipo de camapainha, isto se ouvia de longe, quando se aproximava das casa para buscar os produtos e facilitava de madrugada para prender os demais animais para coloca-los nas cangalhas, e facilitava para prender os demais. Principalmente que era uma invernada grande assim ajudava a localizar os demais. Disse o Eugênio que o burro de pernas listradas era muito difícil de domar e ficava muitas vezes caborteiro por natureza. No no Rio Fão havia a barca, e o burro não conseguia entrar de frente, tinha que se empurrado de frente para traz para embarcar, isto é coloca-lo de bunda. Esse transporte durou uns 40 anos de 1930 mais ou menos até 1970, quando começo os caminhões e abriram as estradas. Hoje ainda faz falta esse tipo de transporte aqui nessa região, pois, as estradas são muitos dobradas e não há condução que chegue nas lavouras.

A sacaria era branca, mas com o passar tempo ela escurecia. Cada burro carregava 120 kg, num saco grande, onde era divido ao meio 60kg de um lado direito  e 60 do outro lado esquerdo. Muitas vezes também os pais mandavam os filhos para o moinho a cavalo, e quando o saco caia era um martírio para criança colocar de volta o saco, ou pedir ajuda para alguém quando encontra pelo caminho. A sacaria era sempre por conta do dono do armazém. Também nessa época era muito comum encontrar pelas estradas tropas de gado, mas sempre nesses casos ia alguém a cavalo para avisar que era gado xucro e perigoso, esse gado era levado para o frigorifico de lajeado, e muitas vezes também era comercializado nas estradas.

Tropas de Burros de Burro Morto – Hoje são José do Herval –RS Nilo Parise


Tropas de Burros de Burro Morto – Hoje são José do Herval –RS   Nilo Parise

Os donos de tropas de burros em Burro morto eram: Zem e Companhia e Parise e Zem e a casa de Comercio era Zen e Parise. Possuiam a tropas de burros para abastecer o armazém e buscavam os produtos no interior, com umas 12 a 15 mulas e burros. O Troperio era o Honório Pessetto e Santo Pessetto. Carregavam 2 sacos de 60 kg no lombo dos burros e estes tinham que tropear para chegar no lugar. Na época os burros iam até o rio Fão carregando os produtos porque não tinha estrada. Também carregavam madeira que era serrada aqui na serra, e amontuavam lá no rio, formando verdadeiras balsas e esperavam o rio subir para que as águas levasse essa grande quantidade por rio até Porto Alegre. Também amarravam as torras bem amarradas para que fossem levadas da mesma forma até a capital para serem serradas lá. Levavam um tipo de produção ensacada e de lá traziam produtos que aqui não tinha, farinha, açúcar, tecido, linhas. Isto aconteceu por muito tempo nos anos vinte até por volta do ano 50. As tropas traziam os mantimentos que abastecia também os armazéns. Nilo Parise comprou um caminhão F 6, foi o primeiro motorista de Burro Morto (hoje são José do Herval), e começou a levar a produção até Lajeado onde demorava de 6 a 8 horas de viagem, disse que saía de madrugada e voltava por volta de meia-noite. O comercio de Burro Morto era muito forte, e os donos de armazéns eram: José Batista Zen, Zanotelli, Dartora e Pretto, que movimentavam o povoado de Burro Morto. Tinha semanas que puxavam as torras e depois  as carroças levavam a madeiras até  o rio Fão, e de lá quando vinha a enchente, faziam as balsas e estas levavam a madeira serrada até Porto Alegre. As serrarias eram movimentadas com água e a vapor. Os sacos eram de Algodão Branco de 60kg. Os burros  faziam os buracos no chão, de tanto transitar no mesmo local. O Preto quando percebeu que a sociedade estava mudando entrando os caminhos Ele foi para soledade, o Batista zen foi para lajeado e por lá colocou mercado e casa de comercio.